Risco do desconto no salário
O pacote habitacional lançado recentemente pelo governo traz a possibilidade de o comprador do imóvel passar a pagar as prestações do financiamento diretamente do salário. O desconto em folha de pagamento pode, em princípio, ser interessante para funcionários públicos, que têm estabilidade no emprego, mas se, teoricamente, não correm o risco da perda total de renda, sofrem com longos períodos sem reajuste salarial e, como todo mundo, o risco de gastos extraordinários que comprometam o orçamento (com um problema de saúde, por exemplo). Para os trabalhadores privados, a possibilidade de desemprego é uma constante. Por isso, especialistas vêem com reservas as medidas anunciadas.
Para o consultor jurídico da Associação Brasileira de Mutuários da Habitação (ABMH), Rodrigo Daniel dos Santos, , por exemplo, a modalidade só beneficia os bancos. A possível (e improvável) vantagem é a redução dos juros do financiamento, dependendo da vontade dos bancos, adverte. "É muito mais simples agendar os pagamentos dos boletos, que dá na mesma, que o débito em folha”. Sem contar que há um agravante. Em caso de inadimplência por dois ou três meses, há a perda do imóvel, que é levado a leilão, explica Santos. "Neste caso, é possível recorrer ao Judiciário. O procedimento, entretanto, custa dinheiro e tempo. Caso haja o pagamento de ao menos 50% do valor da dívida, o comprador não perde a unidade, mas tem de mudar de forma de pagamento, como optar por boleto ou cobrança no banco”.
Planejamento - Para comprar um imóvel, o melhor caminho é poupar antes, para ter ao menos um valor significativo de entrada. É preciso se planejar. "Por exemplo, se o mutuário comprar em 15 anos pagando 1% de juros ao mês, ao final do financiamento terá pagado 150%. Essa pessoa quitou a unidade em sete anos. Durante os oitos restantes, pagou os juros. Ou seja, com essa quantia, daria para quitar dois imóveis e meio”. ]Ao financiar por muitos anos, fica difícil ter a certeza de que será possível pagar em dia cada uma das parcelas. Para o consultor jurídico, o financiamento deve ser sempre encarado como última opção.
Santos dá algumas orientações para não se tornar inadimplente:
• Não comprometa mais de 15% do valor da renda mensal com a primeira prestação;
• Financie o mínimo possível;
• Compre um imóvel dentro das necessidades atuais. Por exemplo, se é casado e tem um filho, compre um imóvel de dois dormitórios, e não de três, pensando que lá na frente pode ter mais um filho. Isso reduz o valor total e as parcelas;
• Procure dar como entrada o saldo do FGTS ou o valor da venda do carro, por exemplo;
Pesquise bastante. Cada banco possui taxas de juros e prazos diferentes. E isso também oscila conforme a faixa salarial da pessoa. Para quem recebe de 10 a 15 salários, os juros são menores. (Fonte: Diário Net).
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